01/07/2011
Destino Traçado no berço - Caio Fernando de Abreu
23/03/2011
Fragmento -Caio Fernando de Abreu - Natural
- E que uma palavra ou um gesto, seu ou meu,
seria o suficiente para modificar nossos roteiros.
silêncio - Mas não seria natural.
- Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem.
- Natural é encontrar.
Natural é perder. -
Linhas paralelas se encontram no infinito. -
O infinito não acaba.
O infinito é nunca.
- Ou sempre. .
05/01/2011
Carta Anônima - Caio Fernando Abreu
24/10/2010
Um porre/ Caio Fernando de Abreu
03/10/2010
Caio Fernando de Abreu/ Arco Iris / Frase
24/09/2010
20/09/2010
Na terra do coração/ Caio Fernando de Abreu
Pode-se ter visões, anunciações, pressentimentos,
ver rostos e paisagens dançando nessa chama azul de ouro. Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam destruindo tudo. Meu coração é uma planta carnívora morta de fome. Meu coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto, cantando um fado lento e cheia de gemidos – ai de mim! ai, ai de mim! Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela Veja.
Levam junto quem me ama, me levam junto também. Faquir involuntário, cascata de champanha, púrpura rosa do Cairo, sapato de sola furada, verso de Mário Quintana, vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro,
papel crepom, cão uivando pra lua, ruína, simulacro, varinha de incenso.
Acesa, aceso – vasto, vivo: meu coração teu.
16/09/2010
Caio Fernando de Abreu / Barco/ Fragmento
Eu entro nesse barco, é só me pedir.Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou.Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes.Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia.Mas você tem que remar também.E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir.Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia.Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo.Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir.Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto.Eu te ensino a nadar, juro!Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças!Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser à toa, que vale a pena.Que por você vale a pena.Que por nós vale a pena.Remar.Re-amar.Amar.
30/07/2010
Caio Fernando de Abreu/ Queimar/ Fragmento
17/06/2010
Caio Fernando de Abreu- Ainda que... Fragmento
"Ainda que dentro de mim as águas apodreçam e se encham de lama e ventos ocasionais depositem peixes mortos pelas margens e todos os avisos se façam presentes nas asas das borboletas e nas folhas dos plátanos que devem estar perdendo folhas lá bem ao sul e, ainda que você me sacuda e diga que me ama e que precisa de mim: ainda assim não sentirei o cheiro podre das águas e meus pés não se sujarão na lama e meus olhos não verão as carcaças entreabertas em vermes nas margens, ainda assim eu matarei as borboletas e cuspirei nas folhas amareladas dos plátanos e afastarei você com o gesto mais duro que conseguir e direi duramente que seu amor não me toca nem me comove e que sua precisão de mim não passa de fome e que você me devoraria como eu devoraria, você ah se ousássemos."
18/05/2010
11/04/2010
Fragmento - Falta de mim - Caio Fernando de Abreu
29/03/2010
Cansar/ Frase/ Caio Fernando de Abreu
15/02/2010
Que seja doce.../ Caio Fernando de Abreu
“Então, que seja doce.Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce.Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo; repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante.Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder.Tudo é tão vago como se fosse nada.”
14/02/2010
Fragmento / Caio Fernando de Abreu/ Cotidiano








