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20/01/2010

Florbela Espanca,/ Fragmento

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

10/09/2008

Os versos que te fiz-Florbela Espanca

Deixa-me dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer
São talhados em mármore de Páros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Têm dolências de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa-me dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

05/09/2008

Saudades- Florbela Espanca

Saudades! Sim... Talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!

26/08/2008

Florbela Espanca- Poema -Amo-te tanto.

Amo-te tanto!
E nunca te beijei...
E, nesse beijo,
Amor, que eu não te dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!
...........
Beija-me as mãos, Amor, devagarinho
...
Que fantasia louca
guardar assim fechados nestas mãos
os beijos que sonhei para a minha boca!