25/04/2008

Trecho do Livro 'A Máquina'- Adriana Falcão

"Seu coração disse pra sua cabeça, vá,
e sua cabeça disse pra sua coragem, vou,
e sua coragem respondeu, vou nada,
mas sua boca não ouviu e beijou."

Adriana Falcão - Mania de explicação

Solidão é uma ilha com saudade de barco. Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue. Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo. Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer "eu deixo" é pouco. Pouco é menos da metade. Muito é quando os dedos da mão não são suficientes. Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça. Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego. Agonia é quando o maestro de você se perde completamente. Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento. Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa. Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára. Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido. Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista. Renúncia é um não que não queria ser ele. Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe. Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente. Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora. Orgulho é uma guarita entre você e o da frente. Ansiedade é quando sempre faltam 5 minutos para o que quer que seja. Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada em especial. Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento. Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado. Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes. Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração. Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é Fevereiro... Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma. Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros. Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho. Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia. Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia. Perdão é quando o Natal acontece em outra ápoca do ano. Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo. Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa. Desatino é um desataque de prudência. Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo. Lucidez é um acesso de loucura ao contrário. Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato. Emoção é um tango que ainda não foi feito. Ainda é quando a vontade está no meio do caminho. Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele. Desejo é uma boca com sede. Paixão é quando apesar da palavra "perigo" o desejo chega e entra. Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado. Não. Amor é um exagero... também não. É um "desadoro"... Uma batelada? Um exame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor não sei explicar...

23/04/2008

Amigos de verdade- Autor desconhecido

Amigos de verdade não se separam,
apenas seguem caminhos diferentes!

Para sempre, até quando? (Martha Medeiros)

(...)Ser feliz para sempre é o final que todos nós sonhamos para nossa história pessoal.
A personagem de Pão e tulipas estava sendo feliz para sempre, até que descobriu que a felicidade muda de significado várias vezes durante o percurso de uma vida.
Ninguém sabe direito o que é felicidade, mas, definitivamente, não é acomodação.
Acomodar-se é o mesmo que fazer uma longa viagem no piloto automático.
Muito seguro, mas que aborrecimento.
É preciso um pouquinho de turbulência para a gente acordar e sentir alguma coisa, nem que seja medo.
Tem muita gente que se distrai e é feliz para sempre, sem conhecer as delícias de ser feliz por uns meses, depois infeliz por uns dias, felicíssimo por uns instantes em outros instantes achar que ficou maluco, então ser feliz de novo em fevereiro e março,e em abril questionar tudo o que se fez, aí em agosto ser feliz porque uma ousadia deu certo,e infeliz porque durou pouco,e assim sentir-se realmente vivo porque cada dia passa a ser um único dia, e não mais um dia.
(...)Viver não é seguro. Viver não é fácil. E não pode ser monótono. Mesmo fazendo escolhas aparentemente definitivas, ainda assim podemos excursionar por dentro de nós mesmos e descobrir lugares desabitados onde nunca colocamos os pés, nem mesmo em imaginação. E estando lá, rever escolhas e recalcular a duração de “para sempre! Não dura tanto quanto duram nossa teimosia e receio de mudar.

Pacth Adans - Filme Poema recitado no filme para Monica Potter

"Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio Ou flecha de cravos que propagam fogo; Te amo como se amam certas coisas obscuras, Secretamente, entre a sombra e a alma. Te amo como a planta que não floresce e Leva dentro de si, oculta, a luz daquelas flores. E graças a teu amor, vive oculto em meu Corpo o apertado aroma que ascende da terra. Te amo sem saber como, nem quando, nem onde. Te amo diretamente sem problemas nem orgulho; Assim te amo porque não sei amar de outra maneira, Senão assim, deste modo, em que não sou nem és. Tão perto de tua mão sobre meu peito é minha, Tão perto que se fecham teus olhos com Meu sonho..."

06/04/2008

Apocalipse - Laisa Rosinski

Parte 1 Vamos usar o ódio para esquecer Vamos transformar os anos em pequenos inferno Vamos mostrar somente nossa raiva e se esquecer que o amor existe Vamos esquecer de mais um inverno que vem chegando Vamos amargurar corações Vamos fazer cicatrizes para que alguém sangre para você ver o lado bom da dor Vamos cutucar a ferida, pisar nos outros e ver como é lindo o sofrer... Vamos somente ver desta vez a lagrima em outro rosto Ver a humilhação de uma pessoa que busca o amor Vamos, simplesmente agora nos matar e sentir o gosto doce ou amargo de morrer, do sofrer, do amar e não poder O gosto dos loucos que se matam por tão pouco Parte 2 Vamos ser intolerantes, inconseqüentes E desta vez iremos apenas ver como é a dor e não iremos mais senti-la Vamos beijar e cuspir depois... Sim, faremos o que chamam de amor, mas faremos pra satisfazer o nosso prazer Vamos viver a noite e não mais o dia, para não vermos mais as desgraças Para não vermos mais o sol... Viveremos na mais completa escuridão, para que essa se junte a nossa alma escura Não fugiremos mais da chuva e nem teremos mais que temer os raios, afim de vivermos em busca de nosso maior medo, a morte E então as rosas serão podres e as flores mortas Para que tudo neste lugar, nesta hora, neste momento seja feio, cruel, difícil, que nem é a vida que nem é o querer e o não poder E novamente sentiremos então o gosto amargo ou doce do morrer, do poder, do chorar, o gosto deste povo que se mata por tão pouco Parte 3 Seremos o que chamam de desespero Seremos julgados e condenados Mas pelo menos dessa vez será tudo melhor Porque saberemos mentir, fingir Podemos e queremos receber o pior castigo Para sofrermos mais do que a alma permite Veremos a dor humana, e nem que seja por um instante esqueceremos da dor de toda nossa alma, da nossa história dolorosa, das marcas que ficaram Vamos trair os outros Vamos fazer a nossa cena Fazer o que agente quiser Vamos enfiar a língua em outras bocas pra ver se conseguimos descontar o peso do viver e do não ter E assim num infinito tempo nos perderemos e sentiremos o gosto doce ou amargo, do morrer, do sofrer, do prazer, do errar, o gosto deste povo que se mata por tão pouco A luz dá fé aos desesperados por não querer ter aprendido amar E agora querem apenas esperar a morte chegar Parte 4 E só sentiremos a nossa falta quando as portas de pequenos amantes estiverem fechadas, trancadas, porque naquele momento ou naquele instante eles também descobriram amor E agora sofrem, por tanto terem procurado, agora nos seus corações a ferida persiste em ferir E nós vamos rir Vamos rir de desespero E quando olharmos para estes, iremos então ver o reflexo de nossa alma, misturado com um pouco de horror e lembraremos do nosso passado Vamos fazer escândalos Vamos escrever os piores dos versos Vamos festejar toda a desgraça Vamos cortar nossos pulsos para ver sangue, para aliviar a dor, a dor da traição E talvez agora vamos nos matar e sentir o gosto de morrer, do sangrar, do sofrer, do beber, do dever, o gosto dos loucos que se matam por tão pouco Parte 5 Vamos ser estúpidos Vamos trocar nossas historia por aventuras sem glórias Vamos ser ignorantes Vamos ser parceiros da maldade Pra nos esquecermos que a saudade persiste em existir Vamos alimentar tristeza Celebrar toda a nossa desunião Vamos morrer de tesão Vamos deixar toda nossa experiência de lado Vamos viver conforme a sociedade nos condena Vamos provar a todos que idiotas são os que vivem em função de um amor Vamos pegar toda nossa falta de bom senso e transformar em mais um passo para o descaso Vivermos sem o mal que nos transforma em seres incapazes, o amor Eu simplesmente não quero viver, eu quero apenas sentir o gosto amargo ou doce do morrer, do falar, do calar, do não poder Sentir o veneno escorrendo pela face Quero sentir qualquer gosto, só não quero sentir o desgosto do amar, do amor de você ...

29/02/2008

Ponto G -Isabel Allende

"...As mulheres gostam que lhes digam
Palavras de amor.
O ponto G está nos ouvidos.
Inútil procorá-lo em outro lugar..."
(Isabel Allende)

Sou uma mulher- Martha Medeiros

Sou uma mulher mais ou menos abandonada Um pouco me dou o direitoum pouco aconteceu assim Ás vezes cansa ser independente Hoje me sustente não me deixe me alimente Quero alguém para pentear meus cabelos Sou uma mulher mais ou menos maltratada Um pouco por descuido Um pouco por querer Gosto da impressão esfomeada Ás vezes cansa ser milionária Quero sair das páginas dos jornais Hoje me adote me faça um carinho debocheme Ponha no colo e abotoe minha blusa Me faça dormir e sonhar com o mocinho Sou uma mulher mais ou menos alucinada Um pouco foi o acaso Um pouco é exagero Hoje me expulse se irrite me batadiga abracadabra E me faça sumiràs vezes cansa ser louca demais Mas gosto do medo que sentem De se envolver com uma mulher assim Hoje quero alguém mais ou menos Apaixonado por mim. (Martha Medeiros)

19/02/2008

Te cuida - Martha Medeiros

A gente sai de casa para ir numa festa ou para pegar a estrada, e antes que a porta atrás de nós se feche, ouvimos a voz deles, pai e mãe: te cuida. A recomendação sai no automático: tchau, te cuida. Um lembrete amoroso: te cuida, meu filho. A vida anda violenta, mas a gente não dá a mínima para este "te cuida" que a gente ouve desde o primeiro passeio do colégio, desde o primeiro banho de piscina na casa de amigos, desde a primeira vez que saímos a pé sozinhos. Pai e mãe são os reis do "te cuida", e a gente mal registra, tão acostumados estamos com estes que não fazem outra coisa a não ser querer nosso bem e nos amar para todo sempre, amém. No entanto, lembro da primeira vez em que estava apaixonada, me despedindo dentro do carro, entre beijos mais do que bons, com aquele que devia ser um moleque mas para mim era um homem, e um homem estranho, uma vez que não era pai, irmão, primo, amigo ou colega. Depois do último beijo, abri a porta do carro e, antes de sair, ouvi ele dizer com uma voz grave e sedutora: te cuida. Me cuidarei, pode deixar. Me cuidarei para estar inteira amanhã de novo, para te ver de novo, te beijar de novo. Me cuidarei para me tocares com suavidade, para nunca encontrares um arranhão sobre a minha pele. E cuidarei do meu humor, dos meus cabelos, cuidarei para não perder a hora, cuidarei para não me apaixonar por outro, cuidarei para não te esquecer, vou me cuidar. Me cuidarei ao atravessar a rua, me cuidarei para não pegar um resfriado, me cuidarei para não ficar doente. Me cuidarei, meu amor, enquanto estiver longe dos teus olhos, nos momentos em que você não pode cuidar de mim. Fica a meu encargo voltar pra você do mesmo jeito que você me viu hoje. É de minha responsabilidade não ficar triste, não deixar ninguém me magoar, não deixar que nada de ruim me aconteça porque você me ama e não agüentaria. Claro que me cuido, nem precisava pedir. Te cuida, dissera ele. E eu ouvi como se fosse um te amo. Meses depois, terminado o namoro sem beijos de despedida, saio do carro trancando o choro, ainda que o rompimento tenha sido resolvido de comum acordo. Abro a porta e já estou com uma perna pra fora quando ouço, sem nenhuma aflição por mim, apenas consciência de que não teríamos mais notícias um do outro: te cuida. Me cuidei. Só chorei quando já estava dentro do elevador.

A todos -Martha Medeiros

A todos trato muito bem
sou cordial, educada, quase sensata
mas nada me dá mais prazer
do que ser persona non grata
expulsa do paraíso
uma mulher sem juízo, que não se comove
com nada
cruel e refinada
que não merece ir pro céu, uma vilã de novela
mas bela, e até mesmo culta
estranha, com tantos amigos
e amada, bem vestida e respeitada
aqui entre nós
melhor que ser boazinha e não poder ser imitada

12/02/2008

Dá-me a tua mão _ Clarice Lispector

Dá-me a tua mão: Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia. Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir - nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio.

03/02/2008

Ousadia -Clarice Lispector

"O que nos impede na maioria
das vezes de ter o que queremos,
de ser o que sonhamos,
de fazer o que pensamos e aceitar com o coração,
é a ousadia que não cultivamos".
(Clarice Lispector)

Laisa - Alma

"Poderia tentar descrever o belo, o intenso e puro. Porém minha alma é amarga E minha solidão constante é profunda."

Guerreiras e heróis-Martha Medeiros

Não estou assistindo ao Big Brother, mas vi a chamada para o programa dia desses. Mostrava uma moça, uma das participantes, olhando pra câmera e dizendo com ar dramático: "Eu sou uma guerreira!!". É de dar nos nervos. Guerreira por quê? Porque está participando de um programa de televisão que vai levá-la, no mínimo, à capa da Playboy? Guerreira porque foi escolhida entre milhões de candidatos para ficar comendo do bom e do melhor e jogando conversa fora com um monte de desocupados? As pessoas não têm culpa de serem burras, mas mereciam uma surra por se levarem tão a sério. O Big Brother é um programa de tevê como outro qualquer e não defendo sua extinção, mas é preciso ficar atento a certos exageros. Por exemplo, é um exagero condenar o jornalista Pedro Bial por apresentá-lo, o cara está trabalhando, só isso. Por outro lado, ele perde a noção quando chama aquele pessoal de "nossos heróis". É o mesmo caso do "guerreira": a troco de que usar essas expressões graves e superlativas para falar de uma brincadeira televisiva onde todos sairão ganhando? O que irrita no Big Brother, mais do que sua inutilidade, é o fato de os participantes serem tratados como vítimas. Qual é? Circula pela internet um arquivo PPS que, pela primeira vez na história dos PPS, me tocou. Ele mostra heróis de verdade: homens e mulheres que abrem mão do conforto de suas casas para fazer trabalho voluntário em aldeias na África e em clínicas móveis no Líbano. São pessoas que oferecem ajuda humanitária internacional através do programa Médicos sem Fronteiras e que não medem esforços para dar amparo e assistência a moradores de ruas e demais necessitados, seja no fim do mundo e ou aqui mesmo nas ruas do Brasil. Isso é heróico, isso é ser guerreiro. Quantos de nós, bem nascidos e bem criados, abrem mão de seus pequenos luxos para ajudar quem precisa? Por isso, se você é da turma que liga pro Big Brother pra votar em paredões, pense melhor antes de erguer o telefone. Direcione sua ligação para um programa assistencial, gaste seu dinheiro com algo que realmente seja útil. Assista ao BBB, divirta-se e dê audiência, não há nada de errado com isso, mas cada vez que tiver o impulso de ligar pra tirar fulano ou sicrana do programa, se toque: tem gente mais necessitada precisando da sua ligação. O site do Unicef traz uma lista de entidades que você pode colaborar dando apenas um telefonema. Quer dar uma espiadinha? Então espie o que está acontecendo à nossa volta.

Procuro-me - Martha Medeiros

Lembra daquele anúncio de "procura-se" que saiu algumas vezes aqui em Zero Hora? Que coisa esquisita. "Procura-se". Ao melhor estilo faroeste, o jornal fazendo papel de poste. À primeira vista, achei que fosse algum anúncio publicitário, mas não: uma família foi assaltada e decidiu ir à caça dos bandidos por conta própria. É provável que houvesse algo de muito valor afetivo a ser recuperado, ou a motivação foi vingança. Seja o que for, achei tudo muito estranho e ligeiramente incômodo. Pois agora esse anúncio voltou à minha mente, e já explico por quê. Zero Hora publicou ontem uma história hilária que me aconteceu. Quinta-feira passada, um senador italiano leu um texto meu em plenário e com isso ajudou a provocar a queda do primeiro-ministro daquele país. Dizem que o momento da leitura do texto foi uma comoção. Só que o tal senador creditou o texto a Pablo Neruda, pois foi desse modo que ele o recebeu pela internet. No dia seguinte, quem diria: os principais jornais da Itália estampavam uma foto minha, creditando a mim a verdadeira autoria do texto que abalou o governo. Meus 15 minutos de fama internacional. Achei a maior graça, vou fazer o quê, chorar? Jamais um texto meu seria lido tão longe e por um motivo tão sério se não achassem que o autor era um Nobel de Literatura. Francamente, quem é que sabe que eu existo na Itália? Bom, agora sabem. Indiretamente, saí ganhando com esse equívoco, mas vamos pensar juntos: por que o senador não leu um texto com autoria comprovada? Simples: porque foi mais um que se deixou levar pelas "facilitações" da internet. Porque é provável que ele nunca tenha lido Neruda na vida, ou saberia reconhecer o estilo do chileno. Porque ele foi apressado e confiou demais no mundo virtual quando deveria seguir confiando em livros. Eu sou fã da internet, mas é preciso saber usá-la com mais parcimônia. Me incomoda ver as pessoas se desabituando a privilegiar a cultura impressa, documentada, com marca registrada e direito autoral garantido. Assim como também estão se desabituando a ter relações reais, de toque, olho no olho, emoções com algum registro sensorial comprovado. Então volto ao assunto lá do início dessa crônica: não estaremos todos meio foragidos de nós mesmos? Inspirada naquele anúncio de "procura-se", resolvi lançar a seguinte campanha: "procuro-me". Tenho tido provas cabais de que estou perdendo a identidade nesse mundo excessivamente virtual. Não sei você, mas vou atrás de mim mesma. Estou saindo de férias, volto assim que me encontrar.