09/08/2009

¨Ao Som de Suzane Vega¨- Caio Fernando De Abreu

Meu nome é Caio F.
Moro no segundo andar,
mas nunca encontrei você na escada.
"Preciso de alguém, e é tão urgente o que digo.
Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. Perdoem a bandeira desfraldada, mas é assim que as coisas são-estão dentro-fora de mim: secas. Tão só nesta hora tardia – eu, patético detrito pós-moderno com resquícios de Werther e farrapos de versos de Jim Morrison, Abaporu heavy-metal -, só sei falar dessas ausências que ressecam as palmas das mãos de carícias não dadas.
Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar.
Que tenha boca para, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor.
E um grande silêncio desnecessário de palavras.
Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver.
Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como – eu estou aqui, eu te toco também.
Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da conha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão.
No meio da fome, do comício, da crise, no meio do vírus, da noite e do deserto – preciso de alguém para dividir comigo esta sede.
Para olhar seus olhos que não adivinho castanhos nem verdes nem azuis e dizer assim: que longa e áspera sede, meu amor.
Que vontade, que vontade enorme de dizer outra vez meu amor, depois de tanto tempo e tanto medo.
Que vontade escapista e burra de encontrar noutro olhar que não o meu próprio – tão cansado, tão causado – qualquer coisa vasta e abstrata quanto, digamos assim, um Caminho.
Esse, simples mas proibido agora: o de tocar no outro.
Querer um futuro só porque você estará lá, meu amor. O caminho de encontrar num outro humano o mais humilde de nós.
Então direi da boca luminosa de ilusão: te amo tanto.
E te beijarei fundo molhado, em puro engano de instantes enganosos transitórios – que importa? (Mas finjo de adulto, digo coisas falsamente sábias, faço caras sérias, responsáveis. Engano, mistifico. Disfarço esta sede de ti, meu amor que nunca veio – viria? virá? – e minto não, já não preciso.)
Preciso sim, preciso tanto.
Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis.
Tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano.
Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra.
Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser conjunto ao teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida.
Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão.
Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho-carente, tigre e lótus.
Preciso de você que eu tanto amo e nunca encontrei.
Para continuar vivendo, preciso da parte de mim que não está em mim, mas guardada em você que eu não conheço.
Tenho urgência de ti, meu amor.
Para me salvar da lama movediça de mim mesmo.
Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar.
Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura.
Ah, imenso amor desconhecido.
Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas cairem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo.
Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez.
Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã."

(Martha Medeiros/ Sapatos e Sapatas)

Me tornei mulher porque me tornei independente, antes de tudo.
Não sou de frescura e muito menos de compulsões consumistas.
Mas ainda tenho um lado mulherzinha: choro à beça, sou louca por flores, não vivo sem meus hidratantes, aprecio o cavalheirismo, gosto de ficar de mãos dadas no cinema, devoro revistas de moda, me interesso por decoração e fico chocada quando escuto expressões grosseiras.
Ah, e calço 36.

04/08/2009

Veneno do teu amor / Laisa Rosinski

"O que eu realmente precisava
era mais um copo de água pra beber
mais um pouco dessa alma
desemada e provar mais nada
deste veneno do teu amor."

02/08/2009

Aquilo menos tudo- Tati Bernardi

A gente abusa das mãos dadas no cinema, ainda mais quando chove ou faz frio.
O ombro dele é meu, o meu é dele, e tudo vai bem assim já há uns bons meses.
Ele faz coisas que eu curto, tipo não me deixar dirigir, enfiar o cartão na carteirinha de couro sem nem me deixar ver a conta e imitar minha compulsão pela minha franja.
Eu faço coisas que ele gosta, tipo carinho na perna, servir mais vinho quando o garçom some e ficar que nem monga alongando enquanto ele corre e paquera peruas acéfalas no parque.
E nada disso me enlouquece, considerando que tem semanas que ele some e eu nem mesmo percebo. Quer dizer, perceber eu percebo, mas não chego a sofrer por isso.
Talvez um pouquinho, mas um pouquinho eu já sofro só de fazer a troca de ar dentro das minhas narinas.
O fato é: nada até aqui é culpa ou desleixo ou abuso dele e isso possibilita nosso lindo e calmo relacionamento sem pau.
Algumas mulheres acreditam no sexo com o pau amigo, o homem limpinho que aparece de vez em quando só pra dar uma comidinha e tchau.
Eu acredito no sexo com o amigo sem pau.
O homem que aparece de vez em quando e te busca em casa, abre a porta do carro, elogia sua roupa, escolhe os melhores ingressos, faz você morrer de rir, conversa sobre tudo, dá conselhos, cuida de você, sobe com você até seu apartamento, curte um som, dorme de conchinha, te abraça forte e…vai embora.
Isso sim é dar uma, ao meu ver.
O trepar e jogar fora da mulher é se sentir amada sem ter que dar.
Pau nunca pode ser amigo, pense bem.
Experimente encontrar, sem querer, seu pau amigo num jantar romântico com uma mulher. Você não gosta do cara, não quer namorar o cara, ele é mala, burro, ele é só um pau.
Você só usa o cara e está super segura nesse papel.
Mas só porque você e ele, juntos, dividiram um pau, algo dentro de você, ainda que pequeno (pois é) quer ir até a mesa do fulano e fazer um escândalo: ahhhhhh me comeu e agora tá com outraaaaaaaa!
Como assiiiiiiim seu desgraçaaaadoooo! Se bobear dá até pra chorar de rímel borrado achando que é amor.
Mulher e pau não são compatíveis.
Homem é a melhor companhia do mundo, acreditem, mas o pau dele não.
Pau é a desgraça humana.
É o elemento descentralizador do controle da alma.
É o conflito personificado numa espada de guerra.
É o fim de tudo.
Pau amigo é coisa de sapatona.
Enfim, mas voltando ao meu melhor amigo.
Esse ser maravilhoso que mexe no meu cabelo, e paga tudo, e me elogia, e me abraça, e me aperta e vem aqui em casa sempre tão perfumado e tomamos vinho e falamos de tudo e...simplesmente não rola pau… ahhh... eu acho que vou matar esse idiota.

31/07/2009

Fragmento - Quebra-cabeça- Sabrina Garcia

Tudo que eu tanto queria era só o meu quebra-cabeça completo,
pra eu conseguir deitar na minha cama e saber que tudo está ajeitado,
que tudo está completo e conseguir pegar no sono,
sem me preocupar com a pecinha fundamental
que pego o rumo errado da minha vida!

28/07/2009

Meu pai meu herói- Laisa Rosinski

O meu pai não tem asas nem capa voadora de verdade, mas me faz voar muito além com suas palavras, seus conselhos, seu afeto, aqueles os quais vou levar sempre comigo em minha grande e longa jornada...
Meu pai tem super poder sim, sabe como me arrancar um sorriso,sabe como me amar de verdade e descobre facilmente meu ponto fraco, conhece a formula de me entender e saber o que eu mais gosto de comer, o que eu mais gosto de fazer.
Meu pai não tem nenhum tipo de escudo nas mãos pra me defender, mas muitas vezes utiliza a sua vida pra fazer isso por mim, está sempre disposto a me dar do melhor que pode.
Mesmo que este melhor custe seu tempo, seu trabalho.
Meu pai não tem hora pra ser meu herói, pois sempre que peço, sempre que estou doente, ele vem em minha busca não se importando com o local, me da suas forças seu sorriso para que o meu surja entre lagrimas e dores.
Meu super-herói é assim me ensina a defender o bem a cultivar o amor e plantar o respeito por onde eu passo, me ensina que seus passos podem ser muito longos quando se existe um pai em nossa trajetória.
Pai-Herói é isso que você é e sempre será em toda minha vida pois caminhar ao seu lado é se sentir protegido, cada beijo, cada palavra, cada gesto que você faz eu te agradeço sempre embora nem sempre manifeste
Saiba meu herói que você não é apenas um herói no dia de hoje mas um herói pra vida toda.
Eu te amo meu herói

26/07/2009

Os complicados/ Fragento/ Veronica H.

E minhas tentativas de gostar das pessoas já me esgotaram.
Não quero começar mais nenhuma relação que eu já conheço o script: eu me encanto, ele se apaixona, eu me esforço pra gostar, ele tenta me conquistar, eu me culpo, ele sofre.
Tudo isso gasta energia, me desilude e me deixa cada vez mais fechada.
Fico achando que então devo me interessar pelos que não vão gostar de mim logo de cara, porque aí eu é que sofreria e quem sabe assim eu conseguisse me fixar.

21/07/2009

Fragmento - Eu sou feita- Clarice Lispector

"Eu sou feita de tão pouca coisa
e meu equilíbrio é tão frágil,
que eu preciso de um excesso de segurança
para me sentir mais ou menos segura."

20/07/2009

Eu preciso muito de você/ Caio Fernando de Abreu

Eu preciso muito de você. Eu quero muito, muito você, aqui de vez em quando
nem que seja muito de vez em quando, você nem precisa trazer maçãs, nem perguntar se estou melhor. Você não precisa trazer nada, só você mesmo. Você nem precisa dizer alguma coisa no telefone basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio. Juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro. Mas eu preciso muito muito de você.

14/07/2009

13/07/2009

TATI BERNARDI - E VOCÊ, O QUE?

Me dei ,me dei ...mudei. E você, o quê? Fiz tudo, te dei o meu mundo. E você o quê? Joguei, lutei, arrisquei, amei! Gostei, um amor maior: impossível. E você o quê? Ultrapassei meu íntimo. Fechei meus olhos, os olhos da alma. Decidi ignorar meus padrões. Ocultei minhas raivas, algumas vezes não deu, disfarcei meus ciúmes, amaciei minhas mágoas. Sua voz me tranqüilizara, teu sexo me domava. Fiz como pude e como não pude. Do seu jeito fui levando, algumas vezes amor próprio me faltou, mas eu só queria seu amor. Por inúmeras vezes te amava mais do que o tudo. E pergunto: E você ? O quê ? Armei sua lona, fiz seu circo , pintei seu mundo. Fiz de você meu primeiro. Usei suas cores, anulei as minhas. Aceitei suas verdades intactas, anulei as minhas. E você amor ? O quê ? O quê você fez? Despedacei meu ego, levantei nossa bandeira Me julguei egoísta, fui contra a seu favor. Chorei, chorei, chorei até faltar vazio em mim. Fui no fundo, no profundo do meu âmago. Pra merecer teus carinhos, teus gemidos, tua língua,teu prazer, teu sorriso, tua atenção, teu apreço. Pra me sentir mulher, me fiz criança. Fiz pirraça, cena, novela. Decorei um texto pra nada dar errado. Abri a mente, fiz preces, fantasiei um mundo. Amei teu corpo, teu jeito, teu cheiro,tua sombra, abri meu peito acreditei na gente. Desconfiei muito, mas confiei demais E você amor? O quê ? Ouviu minha canção? Abriu o peito? Cortou seus cabelos? Trocou de canal? Falou "aquela" frase? Fez planos pra mim? Escolheu um filme pra nós dois? Foi minha companhia para todos os momentos? Foi a um show? Usou "aquela" blusa? Amou-me de verdade? Pensou em mim? No que construímos? No que alcançamos? Tudo um dia tem fim. Tudo na vida tem volta. Tranqüilo você pode ficar, riscos de amar sem ser amado, você não há de correr não. Amor de verdade você não sabe diferenciar. Dizer que vou ser feliz agora? Quem sabe? Dizer que você vai se dar bem? Tomara! Aprendizados são pra vida toda, mas amor unilateral na vida da gente uma só vez é suficiente.

10/07/2009

Fernanda Young/ Frase/ Dias perdidos

"Quantos dias perdi você,olhando para mim,dentro do seu corpo."

Fragmento Dentro dessa ilusão/ Caio Fernando de Abreu

"...- Você sabe que de alguma maneira a coisa esteve ali, bem próxima.
Que você podia tê-la tocado.
Você podia tê-la apanhado.
No ar, que nem uma fruta.
Aí volta o soco.
E sem entender, você então pára e pergunta alguma coisa assim: mas de quem foi o erro?
O outro fez um movimento como se fosse falar, mas ele o deteve.
- Sei, sei.
Você vai perguntar: mas houve um erro?
Bem, não sei se a palavra exata é essa, erro.
Mas estava ali, tão completamente ali, você me entende?
No segundo seguinte, você ia tocá-la, você ia tê-la.
Era tão. Tão imediata. Tão agora. Tão já. E não era.
Meu Deus, não era.
Foi você que errou?
Foi você que não soube fazer o movimento correto?
O movimento perfeito, tinha que ser um movimento perfeito.
Talvez tenha demonstrado demasiada ansiedade, eu penso.
E a coisa se assustou, então.
Como se fosse uma fruta madura, à espera de ser colhida.
É assim que vejo ela, às vezes.
Como uma coisa parada, à espera de ser colhida por alguém que é exatamente você.
Não aconteceria com outro.
Depois, quando ela foge, penso que não, que não era uma fruta.
Que era um bicho, um bichinho desses ariscos.
Coelho, borboleta. Um rato.
É preciso cuidado com o arisco, senão ele foge.
É preciso aprender a se movimentar dentro do silêncio e do tempo.
Cada movimento em direção a ele é tão absolutamente lento que o tempo fica meio abolido.
Não há tempo. Um bicho arisco vive dentro de uma espécie de eternidade.
Duma ilusão de eternidade. Onde ele pode ficar parado para sempre, mastigando o eterno.
Para não assustá-lo, para tê-lo dentro dos seus dedos quando eles finalmente se fecharem, você também precisa estar dentro dessa ilusão do eterno..."

07/07/2009

Clarice Lispector / Fragmento/ Por amor

Agora preciso de tua mão, não para que eu não tenha medo, mas para que tu não tenhas medo. Sei que acreditar em tudo isso será, no começo, a tua grande solidão.
Mas chegará o instante em que me darás a mão, não mais por solidão, mas como eu agora:
por amor.

Poema - Mario Quintana

Fechei os olhos para não te vere a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimasque não enxuguei,e da minha boca fechada nasceram sussurrose palavras mudas que te dediquei...
O amor é quando a gente mora um no outro.