28/12/2007
Vida- Autor Desconhecido
"A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo,
sem tira-las do meu coração;
sorrir às pessoas que não gostam de mim,
para mostra-las que sou diferente do que elas pensam ,
fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade,
para que eu possa acreditar que tudo vai mudar ..."
]
(Autor Desconhecido)
27/12/2007
Livro - Laisa Rosinski
Minha vida incontralavel voracidade,
crio e recrio ao ter um livro em mãos vivo
o que não sou e em palavras busco uma certeza errada...
Entre histórias finjo ser o que não sou.
Poemas e versos histórias sem nexo
me perco entre linhas e navego em desejos
me descubro entre letras e me perco em versos...
e indispensável eu sem o qual me sinto nua e crua.
(Laisa Rosinski)
Amigos- Vinicius de Moraes
Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores,
mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.
(Vinicius de Moraes)
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Vinicius de Moraes
A fita métrica do amor- Martha Medeiros
Como se mede uma pessoa?
Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento.
Ela é enorme pra você quando fala do que leu e viveu,
quando trata você com carinho e respeito,
quando olha nos olhos e sorri destravado.
É pequena pra você quando só pensa em si mesmo,
quando se comporta de uma maneira pouco gentil,
quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar
o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade.
Uma pessoa é gigante pra você quando se interessa pela sua vida,
quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto.
É pequena quando desvia do assunto.
Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende,
quando se coloca no lugar do outro,
quando age não de acordo com o que esperam dela,
mas de acordo com o que espera de si mesma.
Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês.
Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento,
pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas:
será ela que mudou ou será que o amor é traiçoeiro nas suas medições?
Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.
Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.
É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros,
mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.
Uma pessoa é única ao estender a mão,
e ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma.
O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso,
nem os músculos que tornam uma pessoa grande.
É a sua sensibilidade sem tamanho.
(Martha Medeiros)
Bilhete - Mário Quintana
Soneto de separação - VInicius de Moraes
De repente do riso fez-se o pranto
Silêncioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
(Vinicius de Moraes)
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Vinicius de Moraes
As razões que o amor desconhece - Martha Medeiros
Você é inteligente.
Lê livros, revistas, jornais.
Gosta dos filmes do Woody Allen, do Hal Hartley e do Tarantino,
mas sabe que uma boa comédia romântica também tem o seu valor.
É bonita.
Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar.
Independente, emprego fixo, bom saldo no banco.
Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettuccine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo.
Com um currículo desses, criatura, por que diabo está sem namorado?...
Ah, o amor, essa raposa.
Quem dera o amor não fosse um sentimento,
mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem,
caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes
batendo à porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão.
O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Costuma ser despertado mais pelas flechas do Cupido do que por uma ficha limpa.
Você ama aquele cafajeste.
Ele diz que vai ligar e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário,
ele adora o Planet Hemp, que você não suporta.
Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro e é meio galinha.
Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado, mas você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga.
Ele toca gaita de boca, ele adora animais, ele escreve poemas.
Por que você ama esse cara?
Não pergunte pra mim.
Você ama aquela petulante.
Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu,
você deu flores que ela deixou murchar,
você levou-a para conhecer sua mãe e ela foi de blusa transparente.
Você gosta de rock e ela de MPB, você gosta de praia e ela tem alergia a sol,
você abomina o Natal e ela detesta o Ano-Novo, nem no ódio vocês combinam.
Então?
Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado,
o beijo dela é mais viciante que LSD,
você adora brigar com ela e ela adora implicar com você.
Isso tem nome.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada,
veste-se bem e é fã do Caetano.
Isso são referências, só.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá,
ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam,
pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC.
Ama-se justamente pelo o que o amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos tem às pencas,
bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó.
Mas só o seu amor consegue ser do jeito que ele é.
(Martha Medeiros)
Mais uma de amor- Martha Medeiros
MAIS UMA DE AMOR
(Martha Medeiros)
Que algumas pessoas não acreditem que o homem esteve mesmo na lua, dá até pra entender, mas tem gente que não acredita em amor, e isso é imperdoável.
Podemos não acreditar no que nossos olhos vêem, mas não podemos desacreditar no que sentimos. Você já ficou com a boca seca diante de uma pessoa?
Já teve receio de ela estar ouvindo as batidas do seu coração?
Bem, isso tudo não é prova de amor, apenas de ansiedade.
Amor é outra coisa.
Amor é quando você acha que a pessoa com quem você se relacionava era egoísta, possessiva e infantilóide e isso não reduz em nada a sua saudade, não impede que a coisa que você mais gostaria neste instante é de estar tocando os cabelos daquela egoísta, possessiva e infantilóide.
Amor é quando você não compreende direito algumas coisas, mesmo tendo o QI mais elevado da turma, mesmo dominando o pensamento de Sócrates, Plutão e Nietzche.
Perguntas simples ficam sem resposta, como por exemplo: como é que eu, sendo tão boa gente, tão honesto e com um coração tão grande, não consigo fazê-la perceber que ela seria a pessoa mais feliz do mundo ao meu lado?
Amor é quando você passa dias sem ver quem você ama, depois passam-se meses, e aí você conhece outra pessoa e passam-se décadas, e você já nem lembra mais do passado, e um dia qualquer de um ano qualquer você se olha no espelho e pensa: como é que eu consegui enganar a mim mesmo durante todo esse tempo?
Amor é quando você sente que seria capaz de amarrar o cadarço de um tênis com uma única mão ou de fazer a chuva parar só com a força do pensamento caso a pessoa que você ama lhe mandasse um sim deste tamanho.
Amor é quando você sabe tintim por tintim as razões que impedem o seu relacionamento de dar certo, é quando você tem certeza de que seriam muito infelizes juntos, é quando você não tem a menor esperança de um milagre acontecer, e essa sensatez toda não impede de fazê-lo chorar escondido quando ouve uma música careta que lembra os seus 14 anos, quando você acreditava em milagres.
Tudo isso pode parecer uma grande dor, mas é uma grande dádiva, porque a existência do amor está toda hora sendo lembrada.
Dor é quando a gente está numa relação tão fácil, tão automática, tão prática e funcional que a gente até esquece que também é amor.
Em busca da própria solidão- Laisa Rosinski
Vá entrega-te eu ficarei bem.
Ame, mas não ame como eu te amei.
Implore, mas não o tanto que te implorei.
Não olhe para trás, pois eu ficarei bem.
Busca teus desejo ou de ilusões.
Enquanto eu espero a chuva passar.
O céu ainda esta acima de ti esperando você viver teus anseios,
suas angústias.
E eu em meus devaneios vou procurar não te buscar.
Vivendo e segurando no peito mais uma lembrança de uma partida.
A dor da ferida ainda há de cicatrizar.
(Laisa Rosinski)
Mãos desatadas - Laisa Rosinski
Aqui seguirei em meus devaneios
Tão admirados por ti.
Não te pedirei novamente o que chama de amor ou troca de afeto,
pois bem sei que andar de mãos atadas prende um sentimento a qual não se quer mais sentir.
Te deixo partir como quem deixa o coração cair.
Segues tua vida bebe tuas alegria
Embriaga-te de amor alheio
Em meio a madrugadas frias ou aquecidsas por algum corpo,
talvez um dia sentiremos a essencia daquela noite.
Em que a dança nos embebedava,
os olhares nos entorpeciam e as palavras tanto faziam quais eram nenhuma fazia sentido.
A alegria de sentir que nos pertenciamos um ao outro era maior de tudo que ja se havia vivido até ali.
Grita agora a alma na levesa de simplismente pertencer.
Porém pertencer parecia vazio,
era muito mais vasto e nao se podia compreender.
Compreender de fato não fazia mais sentido.
Sentir era apenas o sentido das coisas
Agora separam-se os corpos as almas se distanciam,
mas ainda acreditasse que pelo menos por mais uma noite sentiram o gosto da perdição o amargo gosto de não fazer sentido...
O gosto de sentir, apenas sentindo...
(Laisa Rosinski)
26/12/2007
A mulher e a patroa - Martha Medeiros
Poeta poetinha- Laisa Rosinski
Eu continuo aqui
Persisto na poesia
Em fazer rima enjoadinha
Poemas sem nexo
Que só minha própria alma pode entender
Poeta ou poetinha
Julgue como quiser
Apenas compreenda que a alma
Fere e vibra ao fazer poesia
Minha paixão, minha saída
Escrever para a alma, uma poesia .
Todo poeta é eterno
Dentro da sua loucura
Dentro de sua alma dura.
(Laisa Rosinski)
Trecho do livro Divã - Martha Medeiros
"Eu sei que falei em prazer gratuito semanas atrás,
e sei o que vc pensa a respeito: nada é gratuito.
Mas, por enquanto não consigo contrariar essa forte impressão
de que a conta não virá.
Se eu sinto alguma culpa,
não é pelo o que faço às escondidas,
não é culpa por estar me dedicando
a uma experiência socialmente reprovável :
é culpa por não sentir culpa alguma.
Por estar achando tudo condizente com meu grau de exigência
em relação ao aproveitamento do meu tempo,
condizente com a minha fome,
que nunca foi de comida,
mas de vivência.
A pergunta que mais faço é: pq não?
Desde pequena, desde que tomei gosto pelo
ato de respirar e me senti atraída pelos dias que estavam por vir,
horas repletas de novidade,
desde que eu despertei para a leitura e que passei
a sentir o sabor das coisas de uma forma muito entusiasmada,
desde que eu soube que podia pensar e que o pensamento era livre,
que dentro do meu pensamento ninguém poderia me achar,
desde que meus seios cresceram e eu descobri que pessoas tinham cheiro,
desde lá até aqui eu me pergunto:
pq não me oferecer para aquilo que não fui preparada?
Eu tenho as armas de que necessito para me defender,
e mesmo que eu perca, eu ganho,
já perdi algumas vezes e sei como funciona a lei das compensações.
Quero acolher com generosidade
o que em mim se manifesta de forma incorreta.
Não vou pedir permissão aos outros para desenvolver a mim mesma,
mando no meu corpo e em tudo o que ele confina,
coração incluído, consciência incluída.
Talvez eu esteja com receio de ter ido longe demais desta vez
e esteja preparando a minha defesa,
caso alguma coisa não saia como esperado.
O que eu espero?
Não espero nada, espero tudo,
estou à deriva nessa aventura.
Eu queria cristalizar esse momento da minha vida,
mas estou em alta velocidade,
e não sei se quero ir adiante,
só que eu não tenho opção.
Acho que é isso.
Eu tinha opções,
agora não tenho.
Não consigo parar esse trem."
(Martha Medeiros)
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