Mude o corte do cabeloMude como modeloVá ao cinema, dê um sorrisoAinda que amareloEsqueça seu cotoveloSe amargo for já ter sidoTroque já este vestidoTroque o padrão do tecidoSaia do sério, deixe os critériosSiga todos os sentidosFaça fazer sentidoA cada milágrimas sai um milagreEm caso de tristeza vire a mesaComa só a sobremesaComa somente a cerejaJogue para cima, faça cenaCante as rimas de um poemaSofra apenas, viva apenasSendo só fissura, ou loucuraQuem sabe casando curaNinguém sabe o que procuraFaça uma novena, reze um terçoCaia fora do contexto, invente seu endereçoA cada milágrimas sai um milagreMas se apesar de banalChorar for inevitávelSinta o gosto do salSinta o gosto do salGota a gota, uma a umaDuas, três, dez, cem mil lágrimas, sinta o milagreA cada milágrimas sai um milagre."
12/10/2010
Música / poema/ Milágrimas
03/10/2010
Caio Fernando de Abreu/ Arco Iris / Frase
Martha Medeiros/ Fragmento/ por inteiro
"Não passam as dores, também não passam as alegrias.
Tudo o que nos fez feliz ou infeliz serve pra montar o quebra-cabeça da nossa vida, um quebra-cabeça de cem mil peças.
Aquela noite que você não conseguiu parar de chorar, aquele dia que você ficou caminhando sem saber para onde ir, aquele beijo cinematográfico que você recebeu, aquela visita surpresa que ela lhe fez, o parto do seu filho, a bronca do seu pai, a demissão injusta, o acidente que lhe deixou cicatrizes, tudo isso vai, aos pouquinhos, formando quem você é.
Não há nenhuma peça que não se encaixe.
Todas são aproveitáveis.
Como são muitas, você pode esquecer de algumas, e a isso chamamos de "passou".
Não passou. Está lá dentro, meio perdida, mas quando você menos esperar, ela será necessária para você completar o jogo e se enxergar por inteiro."
02/10/2010
Frase / Tati Bernardi/ Amar menos
24/09/2010
20/09/2010
Na terra do coração/ Caio Fernando de Abreu
Pode-se ter visões, anunciações, pressentimentos,
ver rostos e paisagens dançando nessa chama azul de ouro. Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam destruindo tudo. Meu coração é uma planta carnívora morta de fome. Meu coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto, cantando um fado lento e cheia de gemidos – ai de mim! ai, ai de mim! Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela Veja.
Levam junto quem me ama, me levam junto também. Faquir involuntário, cascata de champanha, púrpura rosa do Cairo, sapato de sola furada, verso de Mário Quintana, vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro,
papel crepom, cão uivando pra lua, ruína, simulacro, varinha de incenso.
Acesa, aceso – vasto, vivo: meu coração teu.
16/09/2010
Caio Fernando de Abreu / Barco/ Fragmento
Eu entro nesse barco, é só me pedir.Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou.Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes.Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia.Mas você tem que remar também.E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir.Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia.Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo.Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir.Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto.Eu te ensino a nadar, juro!Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças!Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser à toa, que vale a pena.Que por você vale a pena.Que por nós vale a pena.Remar.Re-amar.Amar.
14/09/2010
Clarice Lispecto
12/09/2010
08/08/2010
Tati Bernardi/ Fragemnto / Quero...
Quero ser criança, mulher, homem, et, megera, maluca e, ainda assim, olhada com total reconhecimento de território. Quero sexo na escada e alguns hematomas e depois descanso numa cama nossa e pura. Quero foto brega na sala, com duas crianças enfeitando nossa moldura. Quero o sobrenome dele, o suor dele, a alma dele, o dinheiro dele (brincadeira...). Que ele me ame como a minha mãe, que seja mais forte que o meu pai, que seja a família que escolhi pra sempre. Quero que ele passe a mão na minha cabeça quando eu for sincera em minhas desculpas e que ele me ignore quando eu tentar enrolá-lo em minhas maldades. Quero que ele me torne uma pessoa melhor, que faça sexo como ninguém, que invente novas posições, que me faça comer peixe apimentado sem medo, respeite meus enjôos de sensibilidade, minhas esquisitices depressivas e morra de rir com meu senso de humor arrogante. Que seja lindo de uma beleza que me encha de tesão e que tenha um beijo que não desgaste com a rotina.
30/07/2010
Caio Fernando de Abreu/ Queimar/ Fragmento
20/07/2010
Iyanla Vanzant - Ontem Eu Chorei...
Ontem, eu chorei.
Voltei para casa, fui para o meu quarto, sentei na beira da cama, chutei os sapatos, desabotoei o sutiã e caí no choro.
Quero que vocês saibam que eu chorei até meu nariz escorrer molhando a blusa de seda que comprei na liquidação.
Chorei a até minha cabeça doer tanto, que eu mal via a pilha de lenços de papel no chão aos meus pés.
Quero que vocês saibam que ontem eu chorei pra valer.
Ontem, eu chorei por todos os dias em que estive ocupada demais, ou cansada demais, ou com raiva demais para chorar.
Chorei por todos os dias, por todas as formas e por todas as vezes que desonrei, desrespeitei e desliguei meu Eu de mim mesma.
Mas meu Eu se refletiu de volta para mim quando os outros fizeram comigo as mesmas coisas que eu já fizera comigo mesma.
Chorei por todas as coisas que me foram roubadas; por todas as coisas que eu pedi e que não consegui receber; por todas as coisas que, depois de conquistar, eu dei a outras pessoas em circunstâncias que me deixaram vazias, gasta e exaurida.
Chorei porque realmente chega um momento em que a única coisa que nos resta é chorar. Ontem, eu chorei.
Chorei porque meninos pequenos são abandonados pelos pais; e as meninas são esquecidas pelas mães; os pais não sabem o que fazer e por isso vão embora; as mães são abandonadas e ficam com raiva.
Chorei porque eu tive um menininho, e porque eu ainda era uma menina pequena, e porque eu era uma mãe que não sabia o que fazer, e porque eu queria tanto que meu pai estivesse comigo, que chegava a doer.
Ontem, eu chorei.
Chorei porque feri alguém.
Chorei porque fui ferida.
Chorei porque a ferida não tem para onde ir senão até o mais fundo da dor que a causou, e quando chega lá a dor acorda você.
Chorei porque era tarde demais.
Chorei porque tinha chegado a hora.
Chorei porque minha alma sabia que eu não sabia que minha alma sabia tudo o que eu precisava saber.
Chorei um choro espiritual ontem, e esse choro me fez muito bem.
E me fez muito, muito mal.
Em meio ao meu choro, senti minha liberdade vindo, porque ontem, eu chorei sobre cada momento da minha vida.
14/07/2010
Uma perda um anjo se foi...
17/06/2010
Caio Fernando de Abreu- Ainda que... Fragmento
"Ainda que dentro de mim as águas apodreçam e se encham de lama e ventos ocasionais depositem peixes mortos pelas margens e todos os avisos se façam presentes nas asas das borboletas e nas folhas dos plátanos que devem estar perdendo folhas lá bem ao sul e, ainda que você me sacuda e diga que me ama e que precisa de mim: ainda assim não sentirei o cheiro podre das águas e meus pés não se sujarão na lama e meus olhos não verão as carcaças entreabertas em vermes nas margens, ainda assim eu matarei as borboletas e cuspirei nas folhas amareladas dos plátanos e afastarei você com o gesto mais duro que conseguir e direi duramente que seu amor não me toca nem me comove e que sua precisão de mim não passa de fome e que você me devoraria como eu devoraria, você ah se ousássemos."







